O que a Bandai Namco espera do mercado brasileiro de jogos

Na última semana, em São Paulo, a Bandai Namco organizou um evento no qual mostrou para a mídia especializada alguns de seus próximos lançamentos aqui no Brasil. Além de poder testar em primeira mão alguns jogos da publisher, o Kotaku Brasil teve a oportunidade de bater um papo com o diretor de marca da empresa, Jason Enos.

Com bastante experiência na indústria dos games, Enos trabalha na sede americana na Bandai há cinco anos e já trabalhou em outras grandes empresas como Electronic Arts, Sega e Konami, sendo que na última passou nove anos. Na nossa conversa, o produtor falou um pouco sobre os próximos jogos de luta que serão lançados no país, a importância do mercado brasileiro para a Bandai e também discutiu como a companhia pretende conquistar os fãs do país.

Este ano promete ser especial para quem curte mangás, animes e, principalmente, videogames. Até o fim de 2015, a Bandai Namco trará novos títulos de suas franquias mais famosas e amadas pelos fãs e entre elas estão jogos como J-Stars Victory Vs+, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 e também Dragon Ball Xenoverse.

Começando com Xenoverse, Enos afirmou que o novo jogo do universo DBZ marcará uma nova fase da franquia nos videogames e ainda acrescenta que, assim como os próprios fãs que esperaram pacientemente este dia chegar, a Bandai também se encontra ansiosa para a tão aguardada estreia de Goku nos PC’s. “Pessoalmente, eu estou muito empolgado para o lançamento de Xenoverse no Steam e acho que agora é a hora perfeita para isso pois boa parte de seu conteúdo foi feito para a jogabilidade online”, afirma Enos. “Também sabemos que ao redor do mundo algumas pessoas não têm a oportunidade de ter um console de última geração em casa, então esta é uma oportunidade a mais desses jogos atingir o máximo de pessoas possível”.

Com um novo sistema de customização e um modo história que permite ao jogador reviver as principais batalhas do desenho animado, Xenoverse contará com a presença de personagens inéditos no universo DBZ como o vilão Demigra e seus capangas Towa e Mira. “Acho que as novas aventuras e novos personagens de Xenoverse foram desenvolvidos para fazer parte do futuro da franquia Dragon Ball”, afirmou Enos, que também não descartou a possibilidade dos fãs da saga verem os novos personagens numa futura produção, seja num novo game ou até mesmo em um filme de Dragon Ball. “Com Akira Toriyama supervisionando e dando sua ‘benção’ para o jogo, tudo é possível”.

Mesmo com grandes expectativas para Xenoverse, os fãs brasileiros não deixaram de expressar a frustração de não ganharem uma versão dublada pelos atores originais. Com relação a isso, o produtor explicou que a Bandai está trabalhando cada vez mais para trazer jogos localizados ao consumidor brasileiro e deixou claro que isso não é uma coisa que depende apenas da empresa. “Nós sabemos desde o início que os fãs, especialmente os de Dragon Ball e Naruto, querem as vozes brasileiras e isso é algo que nós estamos trabalhando muito duro para transformar em realidade. No entanto, há uma série de desafios quando vamos fazer algo do tipo”.

“Nós devemos seguir um cronograma de lançamento muito rígido em relação a nossa matriz e em casos de jogos como Dragon Ball e Naruto, todas as vozes, diálogos e menus são feitos originalmente em japonês. Nesta situação, temos que pegar o diálogo japonês e traduzi-lo em dezenas de línguas, o que é um serviço trabalhoso e que ocupa muito tempo. Agora, se por alguma razão a pessoa que faz a voz do Goku [apenas um mero exemplo] não estiver disponível, acaba atrapalhando os nossos planos, já que não podemos ficar atrasando o lançamento”, esclareceu o produtor. “O caso do Japão é muito mais fácil pois lá, pelo fato de não depender de nenhuma matriz, os produtores podem se dar ao luxo de esperar por todas as vozes ficarem prontas, mas este não é o caso do ocidente, não podemos fugir muito do cronograma. Estou otimista que no futuro podemos voltar aqui e dizer a todo mundo que já temos a dublagem em mãos”.

Por falar em lançamentos japoneses e ocidentais, Enos também deu a sua opinião com relação aos bons jogos que ficam restritos ao público oriental e nunca dão as caras no mercado ocidental. Para ele, a prática acontece desde os primórdios da indústria porque os conceitos dos jogos japoneses são, em muitos casos, bastante “excêntricos”, tornando estas ideias muito difíceis de traduzir e serem aceitas no ocidente.

Indo contra toda essa onda protecionista da indústria de lá, J-Stars Victory Vs+ é um jogo de luta que conseguiu vencer a burocracia e, graças aos numerosos pedidos dos fãs ocidentais, fará sua estreia por aqui até o fim do ano. O jogo reúne personagens de mais de 30 franquias de mangás e animes japoneses em batalhas para decidir quem é o personagem mais forte.

Aqui no Brasil, ele virá em versão física para PS3 e PS4. Já é uma novidade, considerando que o Japão nunca ganhou uma edição física do jogo para a nova geração de consoles. Em formato digital, apenas o PS Vita está garantido. “Nós ainda estamos trabalhando em cima dos personagens, cenários e também da tradução, mas nosso objetivo principal é trazer o jogo para cá o mais idêntico possível à versão japonesa”, afirmou o produtor, que completou “se você é fã apenas de Dragon Ball, apenas de Naruto ou apenas de One Piece, então é melhor você ficar comXenoverse, Ultimate Ninja Storm 4 ou Pirate Warriors 3. Desse jeito é melhor não gastar dinheiro com J-Stars Victory Vs +. No entanto, se você gosta de Naruto e de Dragon Ball, você precisa jogar esse game. Se você gosta de Cavaleiros do Zodíaco e One Piece, você precisa jogar esse game. Acho que J-Stars Victory Vs+ é um sonho virando realidade para aqueles que gostam de mangas e animes”.

Outro título da Bandai bastante esperado pelos fãs será Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4, um dos maiores sucessos da empresa japonesa.

Para manter o êxito da franquia, Enos afirmou que o estúdio CyberConnect2 está mais uma vez trabalhando no jogo com muita paixão e que o feedback dos fãs foi fundamental para o estúdio fazer os aprimoramentos necessários e transformar UNS4 no melhor jogo da franquia até hoje.

“Com o sistema de combate mais refinado que a série já viu, NS:UNS4 virá muito mais parecido com um jogo de luta tradicional como Mortal Kombat, por exemplo”, disse Enos.A Cyberconnect2 conseguiu deixar o jogo tão imersivo que chega ao ponto de você pensar que está sentado em frente à televisão”.

Ao final da entrevista, Jason Enos afirmou que a Bandai Namco vive um momento muito especial dentro do mercado brasileiro e que, daqui para frente, a meta é crescer mais ainda dentro do país, sempre com o aval dos jogadores. “Nós queremos que os fãs saibam que a Bandai valoriza muito este mercado e que vai continuar trabalhando duro para trazer os grandes jogos para cá o mais rápido possível”, finalizou.

Fonte: Kotaku

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