BASIC, a linguagem de programação para pessoas comuns, completa 50 anos

Há 50 anos, dois professores de Dartmouth (EUA) lançavam uma nova linguagem de programação, feita para qualquer um usá-la facilmente. Ela recebeu o nome de Código de Instruções Simbólicas de Uso Geral para Principiantes – ou, na sigla em inglês, BASIC.

Antes do BASIC, a vida no mundo da programação era complicada. Os computadores mainframe de primeira geração eram programados basicamente à medida que eram montados, como um quebra-cabeça com infinitas soluções. Você tinha que saber como reunir as peças para obter o resultado desejado.

John Kemeny e Thomas Kurtz, professores de matemática e ciência da computação na Dartmouth College, queriam tornar os computadores acessíveis para o usuário médio. “Nossa visão é que cada estudante no campus deve ter acesso a um computador, e qualquer membro do corpo docente deve ser capaz de usar um computador na sala de aula”, disse Kemeny em 1991. Era um objetivo nobre, mas era necessária uma linguagem mais intuitiva do que os sistemas Fortran e ALGOL da época.

Kemeny e Kurtz criaram uma linguagem de computação feita com palavras comuns: HELLO e GOODBYE em vez de LOGON e LOGOFF, mais os comandos PRINT, IF/THEN e END. Tudo bastante lógico, mesmo se você nunca tivesse usado um computador antes.

E ainda mais importante: o BASIC funcionava como um compilador. Antes, cada vez que um usuário executava um programa, o computador precisava traduzi-lo linha por linha em montes de cartões perfurados. O BASIC, por sua vez, convertia toda a lista de comandos do usuário de uma só vez, permitindo que programas fossem concluídos em menos de um segundo.

Kemeny e Kurtz rodaram o primeiro programa BASIC em 1º de maio de 1964, às 4h da manhã. Pouco tempo depois, eles ofereceram a linguagem gratuitamente para a comunidade de computação. Como usuários modificaram a linguagem aos poucos, a original foi apelidada de Dartmouth BASIC.

O BASIC revolucionou a computação, tornando os computadores menos institucionais, e mais como uma ferramenta que toda pessoa poderia usar. Harry McCracken, na Time, explica essa mudança:

Em meados da década de 1960, usar um computador era mais ou menos como jogar xadrez por correio: você usava um perfurador para inserir um programa nos cartões, entregava-os para um operador treinado, e esperava por uma cópia impressa dos resultados, o que podia só chegar no dia seguinte. O BASIC… tanto acelerou o processo, como o desmistificou. Você pedia para o computador fazer algo, digitando palavras e expressões matemáticas, e ele fazia tudo na hora.

Hoje, nós esperamos que computadores – e celulares, e tablets, e uma série de outros dispositivos inteligentes – respondam às nossas instruções e pedidos o mais rápido possível. De muitas maneiras, esta era de gratificação instantânea começou com a criação de Kemeny e Kurtz. Além disso, o trabalho deles chegou ao público muito antes dos avanços igualmente vitais de pioneiros como Douglas Engelbart, inventor do mouse e de outros conceitos ainda presentes em interfaces de usuário modernas.

À medida que passamos de computadores mainframe (gigantes da década de 60 que ocupavam uma sala) para minicomputadores (menores e mais baratos do que a primeira geração) e depois microcomputadores (os primeiros PCs), o BASIC se tornou quase universal. Uma variante da linguagem ajudou a lançar a Micro-Soft, empresa cujo nome perdeu o hífen e deixou rico um cara chamado Bill.

Hoje, a maioria dos usuários não vê código em BASIC quando liga o computador. Provavelmente ninguém espera um livro cheio de código chegar pelo correio. Em vez disso, o BASIC vive nos bastidores, movendo o Microsoft Office e aparecendo em programas para nerds de computador.

O BASIC pode não ser mais a principal linguagem de programação, mas é seguro dizer que o objetivo de Kemeny – universalizar a computação – foi atingido. Se não, você provavelmente não estaria lendo isso agora. [TIMEBit-Tech]

Fonte: Gizmodo

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