Financiadores do Oculus Rift no Kickstarter querem reembolso

Quando você doa seu dinheiro para um projeto no Kickstarter, uma plataforma de financiamento coletivo, os criadores te devem alguma coisa além das recompensas que foram prometidas? Há um entendimento implícito de que os donos do projeto irão continuar independentes? Ou os artistas, designers e empreendedores podem fazer o que quiserem com o projeto quando ele for financiado?

A notícia de que o Facebook estava comprando a empresa de realidade virtual Oculus VR, que desenvolve o Oculus Rift, por US$ 2 bilhões levantou algumas questões importantes sobre o papel do Kickstarter no sucesso de uma startup. Afinal, o Oculus Rift começou com um grupo pequeno de desenvolvedores em uma garagem querendo US$ 250 mil para iniciar o desenvolvimento de um protótipo. A empresa talvez não conseguisse chegar onde chegou se não fosse pelos 9.522 apoiadores no Kickstarter. E esses apoiadores não ganharão um centavo dos US$ 2 bilhões do Facebook.

Sempre ficou muito claro que o financiamento de um projeto no Kickstarter é muito mais uma “doação” do que um investimento. Não há retorno financeiro e não há recurso legal que iniba uma pessoa de pegar seu dinheiro e não entregar o produto prometido. O problema é que a gente nunca viu um projeto que surgiu na plataforma de financiamento coletivo atingir essa escala.

Sem o dinheiro do Kickstarter, a Oculus poderia ter mais dificuldades para atrair os investidores que financiaram a empresa nos últimos dois anos, e sem esses investidores, talvez não houvesse negociação com o Facebook. Assim, você pode mesmo culpar os apoiadores do Kickstarter que estão reclamando que foram prejudicados?

Joel Johnson, da Gawker, deu US$ 300 para a Oculus e escreveu um texto no Valleywag que vale a pena ser lido (em inglês). “Eu ainda sinto que as circunstâncias me impediram de transformar a minha fé especulativa no futuro da empresa em dinheiro real”, disse. “O histórico da empresa – uma companhia de garagem que faz o que corporações não conseguem fazer – não indicava este desfecho: a venda da startup para uma gigante da tecnologia antes mesmo de vender um produto final. Não há problema nisso, mas me sinto insultado”.

Enquanto isso, vários apoiadores não parecem muito satisfeitos na página do projeto no Kickstarter. Alguns estão exigindo reembolso. “Vocês se venderem para o Facebook é uma desgraça”, escreveu Sergey Chubukov. “Isso prejudica a sua reputação e a reputação do financiamento coletivo como um todo. Eu não consigo nem dizer como me sinto traído”, completou.

Veja algumas reações abaixo:

Nós entramos em contato com a Oculus para ver qual era a perspectiva da empresa em relação a isso. Mas é esse tipo de história de ascensão meteórica que você deve ter em mente quando financiar um projeto promissor no Kickstarter. Você não está investindo, você está doando. Simples assim.

Fonte: Kotaku

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