Cone: um speaker que sabe o que você quer ouvir antes mesmo de você saber

Música é algo pessoal. Está ligada à sua identidade, suas emoções, até aos seus amigos. Então a ideia de criar um algoritmo complexo para tornar a brincadeira de ouvir música mais simples é válida. Os criadores do Cone, um speaker wireless que aprende o que você gosta e se desenvolve a partir disso, acham que chegaram a uma solução.

O Cone é o primeiro produto da Aether Things, uma empresa de San Francisco, nos EUA, com herança de décadas de pesquisas em aprendizado de máquinas para criar “coisas que pensam”. Quando encontrei o chefe de produtos Duncan Lamb na semana passada, ele resumiu a missão da empresa em uma questão: “Como é que temos todo esse poder e todos esses dados e ainda assim precisamos falar para as nossas máquinas o que queremos que elas façam?”

É uma boa questão. Nos últimos tempos, produtos como Twine, Automatic e o Nest Thermostat levaram o conceito de coisas pensantes para o público geral e de forma mais acessível. A equipe da Aether foi formada por pessoas que atuaram em outras empresas com projetos na mesma área: gente da Nokia, IDEO, Google, Apple e até um da NASA, responsável pelo sistema de reconhecimento de voz (“ele cria drones controlados por voz como hobby”, explicou Lamb).

Lamb, que trabalhou como chefe de design de produto no Skype e diretor criativo na Nokia, descreve a Aether como um grupo de pessoas que “vai atrás de problemas”. E o primeiro produto desse pessoal, o Cone, é uma resposta ao primeiro problema que eles encontraram: ouvir música.

Muitas escolhas

Então qual exatamente é o problema com os serviços que tornam possível ouvir qualquer música por streaming a qualquer momento?

É exatamente isso: com muita liberdade, o que era um simples ato de mexer no seletor do rádio enquanto você preparava um café pela manhã ficou muito mais complicado ao alternar entre smartphone e computador, criar playlists, procurar músicas e então fazer uma escolha. “Conforme as coisas se tornam mais capazes, elas também ficam mais complexas”, explica Lamb. “E essa complexidade joga contra nós. As TVs são exemplos perfeitos. Nos anos 50, era um botão para ligar e outro para ajustar. Agora temos quatro, até cinco controles remotos.”

O Cone quer simplificar o processo para uma única ação: mexa no seletor. O speaker conta com uma face circular que funciona como uma grande clock wheel. Gire para a direita e ouça música. Gire mais uma vez para trocar a canção. Se quiser ser surpreendido, dê uma grande girada, como na Roda da Fortuna. Se quiser algo específico, aperte o botão no meio do speaker e faça o pedido. Durante a minha demonstração, ao pedir para o Cone “tocar Rolling Stones”, o aparelho passou a tocar uma canção dos Stones depois de alguns segundos.

O aparelho também é lindo, com um acabamento liso de cobre e um perfil curvo que lembra fonógrafos antigos ao mesmo tempo que não é piegas. Quando ele for lançado, em algum momento nos próximos meses, acompanhará um processador de 1GHz e uma bateria de íon de lítio que aguenta até oito horas de música antes de precisar de recarga. No momento, só é compatível com iOS e OS X, mas estão trabalhando na compatibilidade com o Android.

O mais importante é a qualidade – e o som é excelente mesmo em volumes altos. Ele será lançado por US$ 400.

A máquina por trás da música

Esses detalhes são tudo o que você precisa saber para interagir com o Cone. Mas por dentro do seu acabamento de cobre está escondido uma peça complexa de software proprietário desenvolvido ao longo dos últimos dois anos pelo pessoal da Aether.

O Cone presta atenção no que você ouve, o que você pula, e o que você pede, e cria um perfil baseado na sua atividade. A Aether não confirmou quais serviços de streaming exatamente vem as músicas, mas disse que anunciará múltiplos parceiros de conteúdo antes do lançamento do produto.

O Cone também aprende como você usa ele. Graças a um acelerômetro integrado, ele gera pontos de dados sobre onde você escuta o que, assim como quando você ouve certas coisas, e cria playlists com base nessas informações.

Se, por exemplo você ouve rádio pela manhã na cozinha, o Cone vai saber que você prefere ouvir isso a música nesse momento. Vamos dizer que você gosta de ouvir músicas eletrônicas instrumentais enquanto trabalha à tarde – ele vai lembrar disso. Os algoritmos também incluem dados de ambiente. Ele pode sugerir algo diferente para um dia de chuva, por exemplo.

Quanto mais você usa, mais esperto ele fica. A ideia, segundo Lamb, é “pegar todas essas escolhas e todo o poder que existe e está disponível para nós de diferentes formas, e colocar em uma forma física que seja simples, natural e direta.”

Tutor ou tirano?

A principal questão envolvendo o Cone é se as pessoas estão ou não preparadas para um dispositivo que sabe o que elas querem ouvir antes delas mesmo saberem. Nós damos a outros produtos “conectados” controle sobre alguns aspectos da nossa vida que não queremos perder tempo resolvendo, como a temperatura da nossa casa, o combustível do carro, ou quando devemos regar as plantas. A música, por outro lado, está relacionada com a nossa personalidade, e muito próxima a nosso humor e emoções.

A decisão da Aether de desenvolver uma nova peça de software do zero, em vez de fechar parceria com empresas como EchoNest, é um tanto arriscada. Serviços existentes contam com milhões de usuários e anos de dados para uma funcionalidade dessa. O Cone, por sua vez, vai agir sozinho. Isso pode não ser ruim, dependendo do quão sofisticado for o algoritmo, mas pode também ser a principal falha do aparelho. Outra questão que pode incomodar algumas pessoas talvez seja a portabilidade, já que nem todos querem (ou precisam de) um speaker que é sensível à localização.

No fim das contas, o Cone pode ser um amigo confiável que gosta das mesmas bandas que você e sempre parece saber exatamente qual é a próxima grande coisa que você tem que ouvir, e não uma espécie de tirano que não pode ser controlado.

A partir da minha curta experiência de cerca de uma hora, os resultados foram promissores. Ainda assim, sem o tempo necessário para ele “aprender” sobre o meu gosto, é difícil dizer algo definitivo sobre o aparelho. Mas se funcionar como promete, ele pode ser um pedaço mágico de hardware que esconde um software complexo – projetado não para ser visto, e sim para ser ouvido.

Fonte: Gizmodo

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